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Bairro mais caro da Vila Mariana foi maior favela da cidade

Perfil mudou com a atuação do Movimento Universitário de Desfavelamento MAGALI SAMPAIO

No início dos anos 70, a Favela do Vergueiro, que abrigava 1.171 barracos e cerca de 5 mil pessoas, segundo as contagens da época, cedeu lugar para o loteamento Chácara Klabin. O empreendimento mais nobre da região da Vila Mariana ocupou 10 mil metros quadrados.

O professor de Economia de Recursos Naturais na Universidade de São Paulo (USP), Fauzi Saad, presidente das entidades que congregam as universidades abertas para a terceira idade em São Paulo, vivenciou a mudança através do Movimento Universitário de Desfavelamento (MUD).

"A Chácara Klabin era a maior favela da cidade e a nossa tentativa era desfavelizar várias regiões da capital", explica Saad. "O resultado é a mini-cidade construída em uma área salutar."

Morador da região por mais de 30 anos, o professor não se surpreende com a verticalização do local e acredita que toda a infra-estrutura da redondeza favorece o desenvolvimento da Chácara Klabin. "Só lamento que o trabalho de desfavelização não tenha continuidade, pois São Paulo não merecia chegar a esse grau de desintegração social," observa.

Outra antiga moradora, da família dos Bonitos, Jandira Giopatto, de 69 anos, acompanhou de perto a chegada dos novos vizinhos. Ela nasceu na Rua Francisco Cruz, na chácara do avô materno, que cultivava verduras e legumes.

Jandira relembra dos bandos de cabras que corriam pelo local e de seus proprietários vendendo leite para os camponeses."É difícil de acreditar que todo aquele campo foi transformado em prédios tão altos e caros, mas é bom, porque valoriza o bairro."

Classe A - A Chácara Klabin tem atraído novos freqüentadores por causa das casas e apartamentos de alto padrão, localização privilegiada e acesso facilitado por vias expressas, como Avenida Ricardo Jafet, Rua Domingos de Moraes, Avenida 23 de Maio e Avenida Paulista.

A empresária Tereza Lanças mora no Jardim Aeroporto, mas decidiu investir no antigo bairro dos Bonitos. Há quatro anos, montou com o marido Sílvio Antonio Lanças a padaria Pão e Pasta La Bolonhesa-Boulangerie, na Avenida Prefeito Fábio Prado. Eles apostaram na franca expansão do lugar.

"Conhecíamos o bairro e percebemos que aqui viviam pessoas com poder aquisitivo alto e muitos estrangeiros, por causa do colégio Franco-Brasileiro", destaca a ex-dona de casa que, antes de assumir o negócio, dedicava seu tempo integral aos três filhos.

Os edifícios destacam-se, em meio a ruas largas e arborizadas de traçado sinuoso, impedindo o trânsito de passagem. Dados da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp) apontam que, no último ano, houve 26 lançamentos imobiliários na região, totalizando 1.782 novas moradias, a maioria com quatro dormitórios.

Apartamentos de um dormitório têm o preço por metro quadrado cotado em R$ 2.838,43 e um dois quartos fica em torno de R$ 1.852,87. Já os prédios com três dormitórios estão em média por R$ 2.002,20 e um quatro quartos custa R$ 2.308,53.

A média do preço do metro quadrado de área útil é de R$ 2.322,00. "É uma opção nobre, um fenômeno igual ao que ocorreu na zona oeste da capital, e o que me surpreendeu foi a rápida verticalização", acrescenta o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), Roberto Capuano, cujo irmão foi um dos pioneiros do lugar.

A Lei de Zoneamento, que classifica a Chácara Klabin como Z-2, onde é permitido construir até duas vezes a área do terreno, favoreceu a incorporação de prédios residenciais, chamando a atenção de compradores e incorporadores.

Modelos de casas de padrão médio e alto e edifícios com acabamento requintado e grandes áreas de lazer podem ser encontrados nas proximidades das Ruas Prefeito Fábio Prado e Colônia da Glória.


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