Introdução:
Profundas mudanças no campo da tecnologia e da preservação ambiental, associadas ao
enorme problema da dependência mundial do suprimento de petróleo, têm levado o gás
natural a conquistar uma participação crescente no atendimento das necessidades
energéticas de muitos países.
No Brasil, embora o consumo venha se expandindo, este energético possui uma participação
ainda limitada na matriz energética do país. Porém, as recentes descobertas de gás
realizadas no Brasil, principalmente na Bacia de Santos, litoral da Bahia e do Espírito Santo,
abrem uma nova dimensão mais otimista para o gás natural no cenário nacional. Tais
descobertas têm grande potencial para atrair capital estrangeiro e ampliar toda a área de infra-estrutura de processamento, transporte e distribuição de gás, fortalecendo a participação
do gás no desenvolvimento da indústria brasileira e fomentando significativamente o nosso
emergente mercado de gás natural.
Embora o gás natural tenha ainda uma participação modesta na matriz energética nacional,
contribuindo com cerca 9% apenas, a demanda tem aumentado a um ritmo de mais de 20%
ao ano, evidenciando que, se houver gás suficiente para suprir o mercado no futuro, essa
participação será o dobro já nos primeiros anos da próxima década. É fato que a indústria
nacional tem hoje um potencial para consumir cerca de 100 milhões de metros cúbicos por dia.
Definições usuais:
- Gás natural: gás natural é a porção do petróleo que existe na fase gasosa ou em solução no petróleo, nas condições originais do reservatório (poço), e que permanece no estado gasoso nas condições atmosféricas de pressão e temperatura.
O gás natural é um combustível fóssil, basicamente uma mistura de hidrocarbonetos
saturados leves, predominando o gás metano e, em menores quantidades o propano e o butano, entre outros.. É encontrado em rochas porosas no subsolo, podendo estar associado ou não ao petróleo. Pode ser extraído diretamente a partir de reservatórios (poços) petrolíferos ou gaseíferos.
- Gás associado: É considerado gás associado, todo gás natural existente nos reservatórios,
em que o plano de exploração prevê a produção de óleo como principal energético,
reservatórios estes considerados como produtores de óleo.
- Gás não associado: É considerado não associado, todo gás natural existente nos
reservatórios, em que o plano de exploração prevê a produção de gás como principal
energético, reservatórios estes, considerados como produtores de gás.
Aplicações típicas do gás natural:
O gás natural é o combustível de maior crescimento na matriz energética mundial,
apresentando grandes vantagens de utilização como combustão limpa, eficiente, manutenção
econômica e não poluidor do meio ambiente.
A participação do gás natural na Matriz Energética Mundial é de 21%, havendo países como a
Argentina que já superou a casa dos 30%. No Brasil a participação em 1995 atingia 2,7% e
em 2002 atingiu 3,0%, um valor considerado muito pouco expressivo.
Atualmente 50% da produção bruta nacional destina-se à venda, enquanto que, em outros
países (média mundial), atinge 83%. A expectativa é que nos próximos anos, o gás natural
passe a representar cerca de 10 a 12% da demanda de energia primária no País (participação de 10 a 12% na Matriz Energética Brasileira).
O gás natural apresenta diversas aplicações, podendo ser usado como combustível para
fornecimento de calor, geração e cogeração de energia, como matéria-prima nas indústrias
siderúrgica, química, petroquímica e de fertilizantes.
Na área de transportes, o gás natural é utilizado como substituto de outros combustíveis de
maior custo para o consumidor, como o diesel, e a gasolina automotiva.
As principais áreas de utilização do gás natural atualmente no Brasil podem ser assim
definidas:
- Indústrias de petróleo: Utilizado para injeção nos reservatórios para aumentar o fator de
recuperação do petróleo, utilizado como combustível para geração de energia térmica em
caldeiras e fornos, muito utilizado em turbo-geradores para a geração de
energia elétrica em plataformas e unidades de produção em terra e também para alimentar
motores para acionamento de turbo compressores utilizados no escoamento do gás natural
produzido.
- Transporte: Caracteriza-se como uma opção técnica e economicamente viável de
substituição do álcool e gasolina para os veículos de passeio. Também pode ser usado em
veículos pesados, movidos a diesel, como caminhões e ônibus de transporte urbano.
O gás natural reduz fortemente a emissão de resíduos de carbono, o que aumenta a
qualidade do ar, reduz os custos de manutenção e aumenta a vida útil do motor. Por ser mais
barato que outros combustíveis líquidos, gera uma considerável economia para os usuários.
- Setor Energético: Permite a geração de energia elétrica, a partir de motores a combustão
interna, turbinas a gás e até mesmo das recentes células a combustível.
O gás natural também é bastante utilizado em sistemas de co-geração de energia, que é a
produção seqüencial de mais de uma forma útil de energia, a partir do mesmo energético.
Desta forma, pode-se, por exemplo, ter um sistema acionado por turbina a gás que gera
energia elétrica e energia térmica, a qual pode ser utilizada em sistemas industriais de
diversas formas.
- Combustível industrial e comercial: O gás natural vem sendo utilizado como combustível
na substituição de uma variedade de outros combustíveis alternativos, como: a madeira,
carvão, óleo combustível, diesel, GLP, nafta e energia elétrica, tanto em indústrias, como em
comércios.
Proporciona uma combustão limpa, isenta de agentes poluidores, sendo ideal para processos
que exigem a queima em contato direto com o produto final, como, por exemplo, a indústria de
cerâmica e a fabricação de vidro e cimento.
- Matéria Prima: Utilização como redutor siderúrgico em companhias siderúrgicas, utilização
como matéria prima em processos de transformação química, principalmente para a produção
de metanol, e na indústria de fertilizantes, para a produção de amônia e uréia.
- Domiciliar: Evita o consumo de energia elétrica para o aquecimento de água e ambientes,
substitui o GLP em fogões e aquecedores domiciliares, oferece mais conforto e segurança no
uso, diminuindo os riscos de vazamentos, intoxicação no manuseio e incêndio. E, por ser mais leve que o ar, num eventual vazamento se dissipa rápido, sendo portanto mais seguro que o GLP(gás de cozinha).
Vantagens da utilização do gás natural:
As vantagens da utilização do gás natural são bastante evidentes e definitivas, principalmente
em se tratando de preservação ambiental, seja por emissão de menores índices de poluentes
durante a queima, seja por redução de áreas desmatadas para a geração de combustíveis
vegetais.
Melhora da qualidade do ar nas cidades, quando utilizado no transporte urbano e
indústrias, através da queima isenta de resíduos e baixo teor de enxofre (baixa
poluição);
Favorece o uso racional do carvão vegetal e da lenha, evitando o desmatamento
indiscriminado e contribuindo para a preservação do meio ambiente;
Promove a redução de custos e a racionalização energética, aumentando a eficiência
de certos processos industriais através da co-geração;
Garante a qualidade na fabricação de produtos, através da estabilidade dos
processos produtivos de produtos como cerâmica, vidros, tecidos e alimentos,
conferindo aos mesmos, competitividade em nível internacional;
Reduz a manutenção de equipamentos, custos operacionais e redução de
estoques (menor imobilização financeira);
Garante a disponibilidade ampla, crescente e dispersa do combustível, possibilitando
a geração de energia elétrica junto aos grandes centros consumidores, com menores
custos com redes de distribuição;
Reduz a utilização do transporte de combustíveis líquidos pela malha rodo-ferro-hidroviária,
possibilitando maior oferta para escoamento da produção industrial e agrária;
Atrai capital externo para investimentos na cadeia produtiva do gás natural;
Permite a diversificação das fontes de suprimento de energia, proporcionando maior
autonomia energética ao país e segurança no abastecimento, através da utilização do
gás de origem nacional e importado (Diversificação da Matriz Energética).
361 visitas
Envie esta coluna por email